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Especulação de valores simples

décembre 9, 2008

image13_02image13_01É foda não ter nada pra falar. O motivo é sempre o mesmo: não aconteceu nada especial. Ah, vai dizer: sempre tem essa de « nada especial ». Ou sua variante: « tudo na mesma ». Sempre dóem quando são ditas por pessoas queridas, que não vemos a algum tempo. Quanto mais tempo, menos temos pra contar. Porque isso? Porque o tempo mata. Mata intimidade. Arrebenda os fios da meada. Desconecta.

E quando a gente vive num ritmo meio nômade feito eu, o tempo é o que reúne, mas também o que afasta. Maldita ambiguidade. E hoje é mais um dia desses em que penso: não tenho nada pra contar. Na verdade acho que sei o que está escondido atrás dessas palavras, ou melhor: sugerido por elas: elas querem na verdade dizer: não tenho nada pra contar…. que possa interessar você. Não assim num tom de « ah, não te interessa! », mas mais como uma desolação: o que acontece comigo não pode vir a te interessar…

Mas vou dizer assim mesmo: hoje acordei pra trabalhar pensando que não ia conseguir andar. Bati o pé ontem de um jeito tão ridículo que é muito mico contar aqui. Mas consegui. E pedalei até o trabalho. E percebendo que minha saia estava levantada (quantos metros eu andei com a bunda de fora?), quase caí da bicicleta. Mas não caí: quaaaase caí (não sei o que é pior…). Tentei ajeitar as coisas, uma mão no volante e outra censurando lá embaixo. Subi na calçada, perdi o equilíbrio, ralei o joelho na barra da bicicleta. Sabia que dá pra ralar o joelho sem rasgar a meia calça?! reparei que minha meia calça era muito boa.

Também reparei que eu sou muito mais produtiva com os projetos do trabalho do que com os meus próprios. Acho que obodeço melhor aos outros do que a mim mesma. Ou então sou eu quem sou ordens impossíveis demais.

Também comprei rosas brancas para colocar no meu vaso vermelho que vocês conhecem. E comprei o presente de natal do meu amigo secreto, sem me dar conta de que eu estava de bicicleta, e que ia ser foda levar aquele trombolho pra casa pedalando. Mas fui. E nem quase caí.

Eu sei que são coisas assim que a gente conta e que não interessam ninguém. Mas às vezes, acho que são essas as coisas que importam…


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